NÃO DEVEMOS ESPERAR PELO MILAGRE
Data: 13/10/2008
No mês anterior, em função da realização das olimpíadas de Atenas, e a possibilidade do Rugby ser incluído num futuro próximo no rol dos esportes olímpicos, o nosso meio ficou totalmente dedicado, a discutir as possibilidades e benefícios que isto nos traria.Votar em pesquisas de opinião como se o resultado influenciasse as decisões do COI, vislumbrar acessibilidade direta a cotas de patrocínio da iniciativa privada, aumento de visibilidade através de transmissão de jogos nos canais da tv (aberta e ou privada), todos estes assuntos, fizeram parte do dia a dia das listas de discussão, sites especializados, rodas de amigos, etc.
O que nós estamos esperando?
O milagre da multiplicação espontânea de jogadores?
Que a partir do dia que se anunciar o ingresso do Rugby nas olimpíadas os patrocinadores virão nos buscar, as TVs irão transmitir os jogos da Seleção Brasileira nas olimpíadas, e com isto teremos um aumento vertiginoso e espontâneo de jogadores?
Como seria bom....
Mas será que isto irá acontecer mesmo se todos os “2500 a 3500” jogadores votarem nas pesquisas, os seus familiares também votassem, ou como nos indicou o meu amigo Andrés Herbozo (que mesmo morando longe trabalha e contribui para o crescimento do Rugby Brasileiro), burlemos o sistema, podendo votar múltiplas vezes em ditas pesquisas.
Senhores, posso ser taxado de céptico, pessimista, ou muitas outras coisa que os mais entusiastas em relação a este assunto possam pensar, mas sinceramente eu não acredito que o crescimento do nosso esporte esteja diretamente ligado a sua inclusão nas olimpíadas, pode ajudar sem dúvida, mas não será um fato divisor de águas a não ser que “todos” nós, realizemos o nosso trabalho.
E assim, na hora em que for anunciado o fato, estejamos preparados para formar uma seleção que possa competir por uma vaga na América do Sul (o próximo Sul-americano nos dará um bom parâmetro para avaliação da nossa situação atual).
Estamos falando de quantos anos? Quatro, oito talvez?
E até lá, o que devemos fazer?
Aguardar a A.B.R. executar o tão sonhado milagre, ou fazer como alguns clubes e associações pelo Brasil a fora que estão trabalhando duro para superar as suas dificuldades. Vejamos o exemplo do pessoal de Manaus que apesar de totalmente isolados conseguiram organizar um campeonato regional, planejar uma temporada, de forma a participar de torneios como o realizado no SPAC, e ainda representar o Brasil na Venezuela. Tudo isto sem patrocinador, sem incentivos externos ou internos. Exemplos como este, com certeza não é o único caso de isolamento neste grande país. Pensem nas equipes do sul como o Charrua, do Oeste como o Campo Grande Rugby Clube ou as equipes de Brasília, este pessoal (é todos nós na realidade), só pode contar com o resultado de um trabalho árduo e bem planejado, com metas possíveis e realistas para a nossa realidade atual, esperando colher os resultados daqui a quatro anos em nível regional, oito anos em nível nacional , e talvez, se tudo for bem feito, com afinco, organização e pés no chão, possamos ter em dez ou doze anos uma seleção de peso no cenário do rugby mundial, Olímpico ou não.
Não espero que vocês desanimem, mas eu pessoalmente não acredito em resultados a curto prazo, ou alguém já viu uma equipe se formar e no mês seguinte ganhar um jogo de uma equipe que venha trabalhado a mais tempo, de forma organizada sistemática, com um planejamento coerente?
Em quem vocês apostariam?
Pois bem, comecemos a apostar em nós. O ano está entrando no seu último trimestre e deveríamos começar a pensar em como as nossas equipes atuarão no próximo ano.
Só assim, com clubes fortes (são eles a principal fonte de treinadores e ou professores na atualidade), que dêem sustentação a times universitários (e vice versa, universitários dando sustentação aos clubes, fornecendo material humano e visibilidade para o esporte), juvenis e principalmente infantis dentro das nossas cidades e regiões, acredito que forneceremos a ABR o material humano necessário para operar o tão desejado “milagre”.
CARLOS JAVIER PAZOS
Professor de Ed. Física
Prof. de Rugby na PUC Campinas
Treinador do Jequitibá Rugby Clube
CREF nº 011021-G/SP