ASSUMINDO OS PRÓPRIOS COMPROMISSOS.
Data: 13/10/2008
Em primeiro lugar gostaria de dar as boas vindas ao Sr. Douglas Dias Barros, e parabeniza-lo pôr ter a coragem de expressar as suas idéias publicamente, idéias que diga-se de passagem compartilho. O Sr. Douglas tocou num ponto que me preocupa, que é a agressão gratuita dentro e fora do campo. Fora do campo, com insultos e acusações infundadas aos jogadores e instituições, dentro de campo, com atitudes totalmente antidesportivas e injustificáveis.
Onde está o problema, quando um jogador se esconde no anonimato de um e-mail para ofender outras pessoas, ou parte para a briga após uma provocação ou mesmo aquele que provoca. Poderemos considerar que estas pessoas estão aplicando os ensinamentos do esporte? Será que são estes os ensinamentos que estão recebendo ou receberam nos seus clubes?
Sim senhores treinadores, somos nós os responsáveis. Não basta ensinar gestos técnicos ou montar times campeões, temos que ensinar valores, educar primeiro o ser humano depois o jogador, formar cidadãos depois estes serão campeões ou não, mas sem duvida nos treinadores das categorias menores teremos cumprido nossa tarefa, com o nosso exemplo a nossa palavra e sobre tudo com as nossas atitudes. E estes jogadores poderão ao chegar as categorias adultas se concentrar em gestos técnicos e táticas, porque a base já foi formada.
Isto não significa que não podemos ter como objetivo construir uma equipe vencedora, mas acredito eu , este não pode ser o único objetivo, pois corremos o sério risco de nos frustrarmos e frustrar os nossos jogadores, não esqueçamos que numa competição só existe um ganhador, o resto dos participantes serão derrotados ou perdedores no campo esportivo, mas não podemos permitir que sejam perdedores no campo pessoal.
Qual a atitude que todo treinador gosta de observar nos seu jogadores? A de perder a bola e ficar reclamando, a de culpar o companheiro de time porque furou um tackle, a de acusar o arbitro porque não viu a falta ou porque foi desonesto. Creio que nenhum treinador consciente deva gostar ou incentivar tais atitudes. Mas, e nos? Estamos realmente pegando a bola no chão e indo para frente, ou estamos parados reclamando do arbitro.
Senhores, sem duvida estamos vivendo um momento novo no Rugby brasileiro, e cabe a nós construirmos o futuro deste esporte, fazendo a nossa parte, preservando os valores e cultivando as atitudes positivas que a ele são inerentes.
Quando falamos sobre os compromissos do treinador, é quase impossível não citar a "Ray Williams" no seu livro "Rugby Actual". Ao falar sobre as qualidades necessárias a um treinador exitoso ele diz o seguinte: Existem, naturalmente muitos fatores que conduzem para o êxito do treinador, mas três qualidades se destacam sobre as outras. A primeira é a atitude: um treinador deve ter uma atitude correta em direção ao jogo. Bem, mas qual a atitude correta? Certamente deve ter respeito pelo jogo e pôr aqueles que o jogam. Segundo, um treinador deve ter conhecimento técnico: deve estar capacitado para discutir o jogo inteligentemente com os jogadores. Terceiro, um treinador deve poder motivar e estimular a outros e esta é a qualidade mais importante de todas. Um treinador que não pode influenciar aos seus jogadores não é nada".
Por isso quando um jogador comete uma agressão física ou verbal, nós treinadores devemos repensar nossos atos e palavras porque sem duvida nós temos parte de responsabilidade nestes atos, e em tudo o que diz respeito ao nosso esporte. Ajudemos a construir o esporte e não a destruir aqueles que tentam de uma forma ou outra fazer isto.
Carlos Javier Pazos C.R.E.F.4/S.P.1205/02